{"id":1370,"date":"2026-08-12T19:18:48","date_gmt":"2026-08-12T22:18:48","guid":{"rendered":"https:\/\/drtiagobernardes.com.br\/blog\/o-que-e-o-trocanter-maior\/"},"modified":"2026-08-12T20:09:28","modified_gmt":"2026-08-12T23:09:28","slug":"o-que-e-o-trocanter-maior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/drtiagobernardes.com.br\/blog\/o-que-e-o-trocanter-maior\/","title":{"rendered":"O Que \u00e9 o Troc\u00e2nter Maior e Por Que Essa Regi\u00e3o D\u00f3i"},"content":{"rendered":"<p>Quem l\u00ea um laudo de radiografia ou de resson\u00e2ncia do quadril encontra a palavra <strong>troc\u00e2nter maior<\/strong> com frequ\u00eancia, quase sempre sem explica\u00e7\u00e3o. Este texto responde o que \u00e9 essa estrutura, por que ela aparece tanto nos exames e por que d\u00f3i.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 o troc\u00e2nter maior<\/h2>\n<p>O troc\u00e2nter maior \u00e9 uma proemin\u00eancia \u00f3ssea na parte de cima e de fora do f\u00eamur, logo abaixo do colo femoral. \u00c9 a sali\u00eancia que voc\u00ea sente ao apoiar a m\u00e3o na lateral do quadril, e \u00e9 o ponto do corpo que encosta no colch\u00e3o quando voc\u00ea deita de lado.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o faz parte da articula\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 importante: dor no troc\u00e2nter n\u00e3o \u00e9 dor articular, e por isso o tratamento \u00e9 completamente diferente do que se faz para desgaste da articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m o troc\u00e2nter menor, uma proje\u00e7\u00e3o bem mais discreta na face interna do f\u00eamur, onde se prende o m\u00fasculo iliopsoas. Quando o laudo fala em &#8220;troc\u00e2nteres&#8221;, no plural, refere-se aos dois.<\/p>\n<h2>Para que ele serve<\/h2>\n<p>O troc\u00e2nter maior \u00e9 uma alavanca. Nele se prendem os tend\u00f5es dos m\u00fasculos que estabilizam a bacia enquanto voc\u00ea caminha, principalmente o gl\u00fateo m\u00e9dio e o gl\u00fateo m\u00ednimo.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o desses m\u00fasculos fica evidente numa observa\u00e7\u00e3o simples: a cada passo, quando voc\u00ea apoia um p\u00e9 no ch\u00e3o, o outro lado da bacia tenderia a cair. S\u00e3o eles que impedem isso. Quando est\u00e3o fracos ou lesionados, a pessoa desenvolve uma marcha caracter\u00edstica, com inclina\u00e7\u00e3o do tronco para o lado.<\/p>\n<h2>Por que essa regi\u00e3o d\u00f3i tanto<\/h2>\n<p>A dor nessa \u00e1rea \u00e9 uma das queixas mais comuns em ortopedia do quadril, e tr\u00eas estruturas concorrem para explic\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>Os tend\u00f5es gl\u00fateos.<\/strong> S\u00e3o a causa mais frequente. Com o tempo e a sobrecarga, o tend\u00e3o degenera no ponto em que se prende ao osso, o que se chama tendinopatia gl\u00fatea. Atinge sobretudo mulheres a partir dos 40 anos, por raz\u00f5es que envolvem a anatomia da bacia feminina.<\/p>\n<p><strong>As bursas.<\/strong> S\u00e3o bolsas de deslizamento entre o osso e os tecidos. Elas podem inflamar, mas hoje se sabe que raramente s\u00e3o a causa principal, apesar de o nome bursite ter ficado popular. Sobre essa mudan\u00e7a de entendimento, veja <a href=\"https:\/\/drtiagobernardes.com.br\/blog\/bursite-trocanterica\/\">o que \u00e9 a bursite trocant\u00e9rica<\/a>.<\/p>\n<p><strong>A banda iliotibial.<\/strong> \u00c9 uma faixa espessa de tecido que corre pela lateral da coxa e passa por cima do troc\u00e2nter. Quando est\u00e1 tensa, comprime as estruturas contra o osso.<\/p>\n<p>O conjunto desses tr\u00eas problemas recebe hoje o nome de s\u00edndrome da dor do troc\u00e2nter maior, e o panorama do quadro est\u00e1 descrito no <a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" href=\"https:\/\/orthoinfo.aaos.org\/en\/diseases--conditions\/hip-bursitis\/\">material da Academia Americana de Cirurgi\u00f5es Ortop\u00e9dicos sobre bursite do quadril<\/a>.<\/p>\n<h2>Como a dor do troc\u00e2nter se comporta<\/h2>\n<ul>\n<li>Fica na lateral do quadril, e o paciente costuma apontar o local com um dedo.<\/li>\n<li>Piora ao deitar sobre aquele lado, o que atrapalha o sono.<\/li>\n<li>Piora ao subir escada e ao ficar de p\u00e9 apoiado numa perna s\u00f3.<\/li>\n<li>Pode irradiar pela face lateral da coxa, mas raramente passa do joelho.<\/li>\n<li>N\u00e3o costuma vir com formigamento ou dorm\u00eancia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esse padr\u00e3o distingue a dor do troc\u00e2nter da dor da articula\u00e7\u00e3o, que se concentra na virilha, e da dor vinda da coluna, que desce al\u00e9m do joelho com sintomas nervosos. Para uma compara\u00e7\u00e3o completa, veja <a href=\"https:\/\/drtiagobernardes.com.br\/blog\/dor-no-gluteo-causas\/\">as seis causas mais comuns de dor no gl\u00fateo<\/a>.<\/p>\n<h2>Por que atinge mais mulheres<\/h2>\n<p>A predomin\u00e2ncia feminina nesse tipo de dor n\u00e3o \u00e9 impress\u00e3o cl\u00ednica: tem explica\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica. A bacia feminina \u00e9 proporcionalmente mais larga, o que faz o f\u00eamur descer em um \u00e2ngulo mais fechado at\u00e9 o joelho.<\/p>\n<p>Esse \u00e2ngulo aumenta a tens\u00e3o da banda iliotibial sobre o troc\u00e2nter e exige mais trabalho dos gl\u00fateos para estabilizar a bacia a cada passo. Ao longo de anos, a inser\u00e7\u00e3o do tend\u00e3o no osso acumula sobrecarga.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de estrog\u00eanio ap\u00f3s a menopausa tamb\u00e9m interfere na qualidade do col\u00e1geno dos tend\u00f5es, o que ajuda a explicar por que o pico de incid\u00eancia acontece entre os 40 e os 60 anos. Nada disso torna o quadro inevit\u00e1vel: for\u00e7a de gl\u00fateo bem trabalhada compensa boa parte da desvantagem mec\u00e2nica.<\/p>\n<h2>Fraturas do troc\u00e2nter<\/h2>\n<p>Em quedas, principalmente em pessoas idosas com osso enfraquecido, a fratura pode ocorrer na regi\u00e3o dos troc\u00e2nteres, sendo ent\u00e3o chamada de fratura transtrocant\u00e9rica. Ela \u00e9 diferente da fratura do colo femoral e tem tratamento pr\u00f3prio, geralmente com fixa\u00e7\u00e3o. Sobre esse grupo de les\u00f5es, veja <a href=\"https:\/\/drtiagobernardes.com.br\/fratura-do-colo-do-femur-goiania\">o atendimento de fratura do quadril<\/a>.<\/p>\n<h2>Perguntas frequentes<\/h2>\n<h3>Onde fica exatamente o troc\u00e2nter maior?<\/h3>\n<p>Na lateral do quadril, cerca de um palmo abaixo da cintura. \u00c9 a sali\u00eancia \u00f3ssea que voc\u00ea sente ao apoiar a m\u00e3o no quadril e a que encosta no colch\u00e3o quando se deita de lado.<\/p>\n<h3>Dor no troc\u00e2nter \u00e9 bursite?<\/h3>\n<p>Nem sempre, e na maioria das vezes n\u00e3o \u00e9. O entendimento atual atribui a maior parte dos casos aos tend\u00f5es dos gl\u00fateos, e n\u00e3o \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o da bursa. Isso muda o tratamento, que passa a priorizar fortalecimento em vez de anti-inflamat\u00f3rio.<\/p>\n<h3>O que significa &#8220;proemin\u00eancia do troc\u00e2nter maior&#8221; no laudo?<\/h3>\n<p>Costuma ser apenas a descri\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica da estrutura, sem indicar doen\u00e7a. Veja <a href=\"https:\/\/drtiagobernardes.com.br\/blog\/alteracoes-no-trocanter-maior-no-laudo\/\">o que os termos do laudo sobre o troc\u00e2nter querem dizer<\/a>.<\/p>\n<h3>Dor no troc\u00e2nter tem cura?<\/h3>\n<p>A maior parte dos casos melhora de forma importante com fortalecimento orientado e ajuste de carga. O tempo costuma ser de semanas a alguns meses, e quadros de longa evolu\u00e7\u00e3o respondem mais devagar. Veja o <a href=\"https:\/\/drtiagobernardes.com.br\/bursite-trocanterica-goiania\">tratamento da dor lateral do quadril<\/a>.<\/p>\n<h3>Posso sentir o troc\u00e2nter maior com a m\u00e3o?<\/h3>\n<p>Sim. Apoiando a m\u00e3o na lateral do quadril e girando a perna para dentro e para fora, \u00e9 poss\u00edvel sentir a estrutura \u00f3ssea se mover sob os dedos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem l\u00ea um laudo de radiografia ou de resson\u00e2ncia do quadril encontra a palavra troc\u00e2nter maior com frequ\u00eancia, quase sempre sem explica\u00e7\u00e3o. Este texto responde o que \u00e9 essa estrutura, por que ela aparece tanto nos exames e por que d\u00f3i. 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