Cisto subcondral no quadril: causas, sintomas e tratamento

O cisto subcondral no quadril é uma alteração do osso logo abaixo da cartilagem articular, sendo um achado que costuma aparecer em exames de imagem e, muitas vezes, provoca dúvidas.

Como muitos dos meus pacientes ainda não entendem muito bem, vou explica o que é o cisto subcondral no quadril, como surge, quais sintomas observar e quais tratamentos podem ajudar em cada fase.

Cisto subcondral no quadril: o que é

Trata-se de uma cavidade no osso subcondral, área que fica logo abaixo da cartilagem do acetábulo ou da cabeça do fêmur. Essa cavidade pode conter líquido e tecido fibroso.

O cisto subcondral no quadril é muito associado ao desgaste da cartilagem, quadro conhecido como artrose. Em exames, aparece como “alterações císticas” ou “alterações fibrocísticas”.

Como o cisto se forma

Com a perda de cartilagem na área de carga, o fluido da articulação infiltra microfissuras e penetra no osso, criando pequenos “buracos” subcondrais.

Em pessoas jovens, um achado parecido pode surgir na transição cabeça-colo do fêmur por impacto femoroacetabular do tipo cam, onde há choque repetido entre o fêmur e acetábulo.

Sintomas mais comuns

Na maior parte dos casos, quem sente dor tem artrose associada, que costuma ser profunda na virilha e piora ao girar o quadril, subir escadas ou caminhar longas distâncias.

Podem ocorrer rigidez, estalos, limitação para calçar meias e dificuldade para cruzar as pernas.

  • Dor na virilha ou na face lateral do quadril.
  • Perda de mobilidade e sensação de travamento.
  • Mancar após esforço.
  • Redução do desempenho em corrida, futebol ou dança.

Diagnóstico: quando investigar

O diagnóstico começa com história clínica e exame físico.

  • Radiografia pode mostrar redução do espaço articular, esclerose e cistos.
  • Ressonância magnética define tamanho, localização e se há edema ósseo, lesão do lábio acetabular ou sinais de impacto.
  • Em casos selecionados, a tomografia ajuda a planejar a cirurgia.

Tratamento conservador

  • Educação e ajuste de atividades (reduzir impacto repetido, intervalar treinos).
  • Perda de peso quando necessário.
  • Fisioterapia focada em fortalecimento glúteo, core, mobilidade e controle motor.
  • Analgésicos e anti-inflamatórios por tempo limitado, conforme orientação médica.
  • Viscossuplementação com ácido hialurônico para dor e função em artrose leve a moderada.
  • Biológicos selecionados, como PRP, em cenários específicos.

O objetivo é reduzir a dor, melhorar a função e retardar a progressão. Em muitos casos, esse conjunto de medidas já controla os sintomas do cisto subcondral no quadril associado à artrose inicial.

Quando considerar procedimentos

Existem situações em que procedimentos minimamente invasivos ou cirurgia trazem melhores resultados, sobretudo quando a dor persiste após meses de tratamento conservador.

  • Subcondroplastia: injeção de enxerto ósseo injetável para preencher cistos grandes em artrose leve, melhorando a sustentação óssea e a dor de carga.
  • Artroscopia do quadril: indicada no impacto femoroacetabular com dor, para corrigir saliências ósseas e tratar lesões labrais. O cisto na transição cabeça-colo costuma melhorar quando a causa mecânica é corrigida.
  • Artroplastia total do quadril: opção para artrose avançada com limitação importante de vida diária.

Cistos grandes sem artrose avançada

Quando o cisto é volumoso no acetábulo ou na cabeça do fêmur, mesmo com cartilagem ainda preservada, a dor pode vir da falha estrutural do osso.

A subcondroplastia é a principal estratégia nesses casos. O preenchimento da cavidade melhora o arcabouço e reduz a dor mecânica.

O plano deve incluir fisioterapia, controle de carga e reeducação de movimento.

Rotina de cuidados que ajuda no resultado

  • Fortalecer glúteos, abdutores e core para descarregar a articulação.
  • Variar modalidades (bike, natação, caminhada em terreno plano).
  • Gerenciar volume e intensidade com dias de recuperação.
  • Monitorar dor: dor que persiste por mais de 48 horas após treino pede ajuste.
  • Manter acompanhamento para reavaliar sintomas e função.

Quando procurar avaliação

Dor na virilha que não cede em duas a quatro semanas, limitação para atividades simples ou piora progressiva da marcha merecem consulta com ortopedista.

Quem recebeu no laudo a expressão cisto subcondral no quadril e tem dor de carga deve discutir se a causa é o desgaste articular, o impacto ou um cisto grande com falha estrutural, já que cada cenário tem condutas diferentes.

Se você ainda tem dúvidas sobre as abordagens terapêuticas, agende uma consulta para poder avaliar seu caso com atenção!

FAQs

Cisto subcondral no quadril some sozinho?

Pequenos cistos podem permanecer estáveis por anos. O foco costuma ser aliviar dor e preservar função com medidas clínicas e controle de carga.

Qual exame confirma o cisto subcondral no quadril?

A ressonância magnética mostra tamanho, localização e sinais associados. A radiografia ajuda a avaliar o grau de artrose.

Musculação piora o cisto subcondral no quadril?

Musculação bem orientada ajuda a proteger a articulação. Evite sobrecarga brusca e priorize técnica, volume progressivo e fortalecimento de glúteos.

Quando a subcondroplastia é indicada?

Quando há cisto grande com dor de carga e artrose leve. O objetivo é preencher a cavidade e melhorar a sustentação óssea.

Quem tem artrose sempre precisa operar?

Não. Muitos pacientes melhoram com medidas conservadoras. A artroplastia entra em cena quando dor e limitação seguem altas apesar do tratamento clínico.

Dr. Tiago Bernardes
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Dr. Tiago Bernardes

Dr. Tiago Bernardes

Formado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/DF) e residente em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG).