Dor na cabeça do fêmur irradiando para perna: o que fazer

Sentir dor na cabeça do fêmur irradiando para perna não é normal, e é uma queixa frequente entre meus pacientes.

Esse padrão costuma indicar irritação dentro da articulação do quadril, sobrecarga em tendões ao redor do fêmur ou compressão neural que projeta a dor para coxa e perna.

Com avaliação correta, a maioria dos casos melhora com tratamento conservador e ajustes de rotina.

Entenda o que é a dor na cabeça do fêmur irradiando para perna

A cabeça do fêmur se articula com o acetábulo, revestida por cartilagem e selada pelo lábio acetabular.

A cápsula e o líquido sinovial lubrificam o conjunto, músculos e tendões estabilizam o quadril durante a marcha, corrida e mudanças de direção.

Quando algo irrita essas estruturas, a dor na cabeça do fêmur irradiando para perna aparece como pontada, queimação ou peso que desce pela face anterior, lateral ou posterior da coxa.

Sinais de alerta que exigem consulta

Procure um especialista se a dor na cabeça do fêmur irradiando para perna:

  • Durar mais de 15 dias.
  • Vier com febre e perda de força.
  • Após queda recente e trauma de alta energia.
  • Acompanhada de dificuldade para apoiar o peso corporal.
  • Presença de formigamento persistente ou perda de sensibilidade no pé.

Principais causas

Impacto femoroacetabular

Contato anormal entre colo do fêmur e acetábulo irrita cartilagem e lábio acetabular. Gera dor na virilha que pode irradiar para a coxa, piora ao sentar por longos períodos e ao levantar rapidamente.

Lesão do lábio acetabular

Rasgadura no anel de fibrocartilagem que sela a articulação. Causa estalos, sensação de travamento e dor na cabeça do fêmur irradiando para perna ao girar o quadril ou subir escadas.

Artrose do quadril

Desgaste progressivo da cartilagem que limita a mobilidade. A dor aparece ao iniciar movimentos, melhora ao aquecer e pode irradiar para coxa e joelho, com rigidez matinal breve.

Osteonecrose da cabeça do fêmur

Redução do fluxo sanguíneo para a cabeça do fêmur provoca microcolapso ósseo e dor profunda na virilha, que pode irradiar para coxa.

Histórico de uso de corticoide, álcool em excesso ou trauma aumenta o risco, por isso, procure avaliação rápida se suspeitar.

Bursite trocantérica

Inflamação da bursa na lateral do quadril. Dor localizada que irradia pela face lateral da coxa, pior à noite ao deitar sobre o lado dolorido e ao subir escadas.

Tendinopatia dos glúteos médio e mínimo

Sobrecarga nos tendões estabilizadores do quadril causa dor lateral que desce pela coxa, com fraqueza para ficar em um pé só e caminhar longas distâncias.

Radiculopatia lombar e ciatalgia

Compressão de raízes nervosas lombares ou irritação do nervo ciático projeta dor por toda a perna, às vezes com formigamento e perda de força. Pode coexistir com dor intra-articular do quadril.

Fratura por estresse do colo do fêmur

Comum em corredores e praticantes de esportes de impacto. Dor insidiosa na virilha que piora ao impacto, pode irradiar para a coxa. Exige diagnóstico precoce para evitar progressão.

Sinovite e derrame articular

Inflamação da membrana sinovial aumenta o líquido dentro da articulação, gera pressão e dor na cabeça do fêmur irradiando para perna, com sensação de peso e limitação para cruzar as pernas.

Como o médico confirma a causa

O diagnóstico começa com história clínica detalhada, exame físico com testes provocativos e avaliação da marcha.

Exames de imagem entram quando necessário, radiografia do quadril em incidências adequadas, ressonância magnética, artroressonância para suspeita de lesão labral, ultrassom para bursites e tendinopatias, tomografia em planejamento cirúrgico.

Em casos selecionados, o bloqueio anestésico intra-articular ajuda a diferenciar dor do quadril de dor lombar.

Tratamentos que funcionam

Medicação

Analgésicos e anti-inflamatórios por curto período ajudam na fase aguda.

Infiltrações guiadas

Aplicações direcionadas de anestésico e corticosteróide na bursa, dentro da articulação ou ao redor de nervos reduzem inflamação e dor.

Fisioterapia

Reabilitação ativa corrige sobrecargas e devolve função. Inclui controle de dor, mobilidade de cápsula e tecidos moles, fortalecimento progressivo de glúteos, rotadores profundos e core, treino de marcha e retorno gradual ao impacto.

Cirurgia

Indicada para falha do tratamento conservador ou para condições específicas, como impacto femoroacetabular significativo, lesão labral extensa, fraturas instáveis, osteonecrose em colapso.

Técnicas artroscópicas e preservadoras do quadril são priorizadas quando possível.

Cuidados diários que aceleram a recuperação

Confira alguns cuidados que compartilho com meus pacientes:

  • Ajuste de carga em corridas e treinos.
  • Escolha de calçados estáveis.
  • Variação de posturas no trabalho.
  • Evitar permanecer longos períodos sentado com quadris em flexão profunda.
  • Uso de calor leve para rigidez e frio para dor inflamatória.
  • Sono regular para recuperação muscular.

Esses hábitos reduzem a dor na cabeça do fêmur irradiando para perna e protegem a articulação.

Mas se você já adotou todas essas medidas e a dor ainda continua, agende uma consulta para poder avaliar melhor seu quadro e propor o tratamento de acordo.

FAQs

Dor na cabeça do fêmur irradiando para perna vem da coluna ou do quadril?

Os dois cenários são possíveis. Testes clínicos e, se preciso, bloqueio anestésico intra-articular ajudam a separar dor do quadril de radiculopatia lombar.

Quando essa dor é uma urgência?

Após queda, acidente, incapacidade de apoiar o peso, febre, dor noturna progressiva ou suspeita de osteonecrose, busque atendimento imediato.

Qual é o melhor exame para investigar?

Radiografia é o começo. Ressonância magnética avalia cartilagem, osso e lábio, artroressonância detecta lesões sutis, ultrassom ajuda em bursites e tendões.

Posso treinar perna com essa dor?

Treinos são possíveis com ajustes de carga, foco em fortalecimento de glúteos e core, evitando impacto e posições que provoquem a dor.

Essa dor tem cura?

Na maioria dos casos, sim. Com diagnóstico correto, fisioterapia estruturada, infiltrações quando indicadas e mudanças de hábito, o alívio é consistente.

Dr. Tiago Bernardes
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Dr. Tiago Bernardes

Dr. Tiago Bernardes

Formado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/DF) e residente em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG).