Dor no quadril ao caminhar: causas, sintomas e tratamento

Dor no quadril ao caminhar não é normal, e é o corpo avisando que há sobrecarga, inflamação ou perda de força.

Com orientação certa, é possível aliviar, recuperar a mobilidade e voltar a caminhar com confiança.

Se você vem sentindo esse desconforto, vou explicar aqui o que pode ser, sintomas que pedem atenção e como tratar.

Principais causas de dor no quadril ao caminhar

Várias condições podem gerar dor no quadril ao caminhar. As mais comuns envolvem sobrecarga mecânica, inflamação e degeneração articular.

  • Bursite trocantérica: dor na lateral do quadril que piora ao deitar de lado e ao subir ladeiras.
  • Tendinopatias dos glúteos: glúteo médio e mínimo, comuns em quem caminha muito sem fortalecer a pelve.
  • Artrose do quadril: rigidez matinal, dor profunda na virilha e perda de amplitude.
  • Lesão do lábio acetabular: travamentos, estalos e dor anterior ao girar o tronco.
  • Síndrome do piriforme e dor referida lombar: podem irradiar para a nádega e coxa.
  • Tendinite do iliopsoas e overuse por aumento brusco de volume de caminhada.
  • Fraturas por estresse ou quedas em pessoas com osteoporose.

Fatores que agravam: fraqueza de glúteos, pisada com colapso do arco, diferença de comprimento entre as pernas, calçado gasto, excesso de peso e longos períodos sentado.

Sinais e sintomas que pedem atenção

  • Dor que persiste por mais de 3 a 5 dias, mesmo reduzindo o ritmo.
  • Irradiação para virilha, nádega ou joelho, com sensação de travar.
  • Estalos dolorosos, rigidez ao levantar da cadeira e claudicação.
  • Edema, calor local ou vermelhidão após a caminhada.
  • Histórico de queda recente, osteoporose ou uso prolongado de corticoide.

Como é feito o diagnóstico

A avaliação clínica verifica a postura, marcha, força de glúteos e mobilidade do quadril e da coluna lombar.

Exames podem incluir radiografia, ultrassonografia para tendões e bursa e, quando indicado, ressonância para cartilagem e lábio.

Levar anotações sobre quando a dor no quadril ao caminhar aparece, distância percorrida e tipo de terreno ajuda a direcionar o diagnóstico e o plano de cuidado.

Tratamentos eficazes: do conservador ao avançado

  • Educação e redução de carga: diminuir distância, trocar subidas por terreno plano e inserir pausas.
  • Exercícios terapêuticos: foco em glúteo médio, glúteo máximo, core e estabilizadores da pelve.
  • Mobilidade: alongamentos suaves de flexores do quadril, piriforme e cadeia posterior.
  • Técnicas manuais: liberação miofascial e controle da dor para acelerar o retorno à marcha.
  • Correção da pisada: revisão de calçados e, quando necessário, palmilhas sob medida.
  • Controle de inflamação: gelo nas fases agudas e calor em rigidez persistente, conforme orientação.
  • Perda de peso: pequenas reduções já aliviam a pressão na articulação.
  • Infiltrações guiadas: indicadas em casos selecionados de bursite ou sinovite refratária.
  • Cirurgia: opção para lesões estruturais específicas ou artrose avançada que não respondeu ao tratamento clínico.

O objetivo é devolver tolerância à carga, reduzir a dor no quadril ao caminhar e restabelecer o padrão de marcha sem compensações.

Técnica de marcha que protege o quadril

  1. Cabeça alinhada e olhar à frente, queixo paralelo ao chão.
  2. Ombros para baixo, braços próximos ao tronco balançando natural.
  3. Calcanhar toca primeiro, o pé rola pelo médio e o impulso sai dos dedos.
  4. Passos curtos e cadência estável em terreno regular.
  5. Calçado com boa entressola e contraforte firme, trocado periodicamente.

Essa técnica reduz picos de carga e ajuda a controlar a dor no quadril ao caminhar enquanto a força retorna.

Prevenção no dia a dia

Confira as orientações que compartilho com meus pacientes:

  • Evite aumentos bruscos de distância ou velocidade, use a regra de até 10% por semana.
  • Intercale caminhadas com treino de força duas a três vezes por semana.
  • Levante-se a cada 50 a 60 minutos se passa muitas horas sentado.
  • Mantenha hidratação e sono adequados, o tecido responde melhor ao treino.

Quando procurar um especialista

Dor aguda após queda, incapacidade de apoiar o peso, febre com dor articular ou deformidade exigem avaliação imediata.

Se a dor no quadril ao caminhar limita tarefas simples, como subir escadas ou levantar da cadeira, marque uma consulta para pensarmos em um plano individualizado.

FAQs

Dor no quadril ao caminhar pode ser ciática?

Sim. A dor pode vir da lombar e irradiar para a nádega e a coxa. Avaliação clínica diferencia origem articular, tendínea e neural.

Como diferenciar dor articular de dor muscular?

Dor articular costuma ser profunda, com rigidez e limitação para girar o quadril. Dor muscular arde, piora ao contrair e alivia com descanso.

Posso continuar caminhando sentindo dor leve?

Sim, desde que a dor fique ≤ 3 em 10 e não piore no dia seguinte. Reduza distância, escolha terreno plano e monitore a resposta.

Qual o melhor calçado para proteger o quadril?

Tênis com boa absorção de impacto, contraforte firme e desgaste uniforme da sola. Troque o par ao notar deformação ou perda de amortecimento.

Quando a dor no quadril ao caminhar é sinal de gravidade?

Após queda, com aumento de volume, calor, febre, incapacidade de apoiar ou deformidade. Procure atendimento sem demora.

Dr. Tiago Bernardes
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Dr. Tiago Bernardes

Dr. Tiago Bernardes

Formado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/DF) e residente em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG).