Osteonecrose da cabeça do fêmur: sintomas e tratamentos

A osteonecrose da cabeça do fêmur surge quando o osso deixa de receber sangue suficiente. Sem essa nutrição, aparecem microfraturas e a cabeça perde a curvatura natural, o que provoca dor e limita os movimentos.

É mais comum em adultos jovens e pode surgir em um lado só ou nos dois quadris, deixando tarefas simples — caminhar, subir escadas — bem mais difíceis.

Com diagnóstico precoce, crescem as chances de preservar a articulação com tratamentos menos invasivos e, muitas vezes, adiar a prótese.

O que é osteonecrose da cabeça do fêmur?

Trata-se de um defeito na circulação sanguínea do osso esponjoso da cabeça femoral.

Sem oxigênio e nutrientes, as células morrem, a estrutura perde resistência e pode ocorrer colapso com perda da forma arredondada.

A osteonecrose da cabeça do fêmur pode surgir após trauma ou por causas não traumáticas, e parte dos casos é idiopática.

Fatores de risco e causas

Diversas condições elevam o risco de osteonecrose da cabeça do fêmur. Quanto mais fatores presentes, maior a probabilidade de progressão.

  • Uso prolongado de corticosteroides ou em doses altas.
  • Consumo excessivo de álcool.
  • Tabagismo.
  • Trauma no quadril, como fratura do colo do fêmur ou luxação.
  • Anemia falciforme e outras hemoglobinopatias.
  • Lúpus e doenças reumatológicas sistêmicas.
  • Radioterapia, quimioterapia e transplantes.
  • Distúrbios de coagulação e dislipidemias.
  • Infecção por HIV.
  • Doença da descompressão em mergulho.

Quando não há causa identificável, usa-se o termo osteonecrose primária. Em pacientes expostos a corticosteroides, a doença pode aparecer em mais de uma articulação.

Sintomas e sinais no dia a dia

  • Dor na virilha, podendo irradiar para coxa ou glúteo.
  • Piora com apoio e atividades de impacto.
  • Desconforto noturno e rigidez.
  • Marcha mancando e limitação de movimentos.
  • Em fases avançadas, sensação de “travamento” e perda de mobilidade.

Procure avaliação se a dor persistir por mais de duas semanas, caso exista história de trauma recente ou uso de corticosteroides.

Como é feito o diagnóstico

A radiografia pode ser normal no início. A ressonância magnética é o exame mais sensível para detectar lesões precoces e mapear a extensão, inclusive no quadril sem sintomas.

A tomografia auxilia na avaliação de colapso subcondral, enquanto os exames laboratoriais servem para investigar fatores associados, como alterações de coagulação e perfil lipídico.

Classificação por estágios (ARCO)

  • Estágio 1: radiografia normal, alterações apenas na ressonância.
  • Estágio 2: esclerose e cistos na cabeça femoral, sem colapso.
  • Estágio 3: fratura subcondral com início de colapso e perda de esfericidade.
  • Estágio 4: artrose instalada com deformidade acetabular.

O estágio orienta a estratégia terapêutica e o prognóstico de cada paciente com osteonecrose da cabeça do fêmur.

Tratamento nas fases iniciais

Quando a cabeça femoral ainda está esférica, o foco é preservar a articulação.

O ortopedista pode indicar retirada parcial de carga com muletas por período curto, controle dos fatores de risco, reabilitação guiada e, quando indicado, core decompression (descompressão do núcleo).

  • Descompressão do núcleo: perfurações para reduzir a pressão intraóssea e estimular reparo.
  • Enxertos ósseos: preenchem a falha e dão suporte.
  • Ortobiológicos: concentração de células da medula óssea ou do tecido adiposo aplicada no foco após a descompressão.
  • Medidas clínicas: ajuste de corticosteroides, redução de álcool, cessação do tabagismo, controle de lipídios, manejo de comorbidades.
  • Fisioterapia: fortalecimento do quadril, ganho de mobilidade e educação para retorno gradual.

Essas abordagens buscam aliviar dor e diminuir a chance de colapso na osteonecrose da cabeça do fêmur em estágio inicial.

Tratamento nos casos avançados

Com colapso ou artrose, a descompressão não corrige a deformidade. Nessa fase, a opção com melhor alívio de dor e restauração de função é a prótese total de quadril.

Materiais modernos ampliaram a durabilidade dos implantes e permitem retorno consistente às atividades do dia a dia após reabilitação bem conduzida.

Prevenção e cuidados

  • Usar corticosteroides apenas quando necessários e na menor dose possível.
  • Evitar consumo excessivo de álcool e parar de fumar.
  • Controlar colesterol e tratar distúrbios de coagulação.
  • Seguir protocolos de descompressão em mergulho.
  • Fazer acompanhamento regular quando há fatores de risco.

Quando procurar o ortopedista

Dor persistente na virilha, limitação para caminhar, piora do quadro ao apoiar o peso e histórico de trauma ou uso de corticosteroides são sinais de alerta.

A avaliação precoce acelera o diagnóstico da osteonecrose da cabeça do fêmur e direciona o tratamento adequado ao estágio.

FAQs

O que causa osteonecrose da cabeça do fêmur?

As causas mais comuns incluem corticosteroides em dose alta ou por tempo prolongado, álcool em excesso, trauma do quadril, distúrbios de coagulação, anemia falciforme, radioterapia e doenças reumatológicas. Em parte dos pacientes, a origem permanece sem definição clara.

A osteonecrose da cabeça do fêmur tem cura?

Nas fases iniciais, há chance de preservar a articulação com descompressão, enxertos e ortobiológicos. Em estágios com colapso, a prótese total de quadril oferece alívio de dor e recuperação funcional de forma consistente.

Ressonância magnética é sempre necessária?

Para detectar lesões precoces e estadiar a doença com precisão, a ressonância magnética é o exame de escolha. A radiografia ajuda no acompanhamento e identifica sinais em fases mais avançadas.

Quando posso voltar a treinar após o tratamento?

O retorno é individualizado e depende do estágio, do procedimento e da resposta clínica. Em geral, inicia-se com atividades de baixo impacto, sob orientação, e a progressão ocorre conforme controle da dor e fortalecimento do quadril.

Dr. Tiago Bernardes
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Dr. Tiago Bernardes

Dr. Tiago Bernardes

Formado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/DF) e residente em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG).