Patologias do Quadril

Quanto Tempo Até Operar Uma Fratura de Fêmur e Por Que a Pressa Importa

Depois de uma queda que resulta em fratura do fêmur, a pergunta da família costuma ser a mesma: dá para esperar? A resposta tem base em evidência, e ela é bastante direta. Quanto antes se opera, melhor o desfecho, e o motivo não é o osso.

A janela de 24 a 48 horas

A recomendação atual é operar dentro das primeiras 24 a 48 horas depois da fratura, sempre que as condições clínicas permitirem. Esse não é um prazo arbitrário: é o intervalo em que os estudos mostram menor taxa de complicações.

Vale entender que a cirurgia aqui não serve só para consolidar o osso. Ela serve para tirar a pessoa da cama. Esse é o objetivo principal, e é o que explica a urgência.

Por que a espera custa caro

Quem tem fratura de fêmur não consegue apoiar o peso na perna. Fica deitado. E ficar deitado, para um organismo mais velho, desencadeia uma sequência previsível de problemas.

Pulmão. Deitado, a pessoa respira mais superficialmente e tosse com menos força. Secreção acumula, e a pneumonia é uma das complicações mais frequentes e mais graves nesse cenário.

Circulação. A imobilidade favorece a formação de coágulos nas veias das pernas, que podem migrar para o pulmão. É por isso que a prevenção de trombose começa já na internação.

Músculo. A perda de massa muscular em pessoa idosa acamada é rápida, medida em dias, e depois é difícil de recuperar. Cada dia parado encurta a autonomia futura.

Pele. Pressão contínua sobre as mesmas áreas gera lesões que complicam qualquer cirurgia posterior.

Cabeça. Confusão mental aguda é comum em idosos internados e imobilizados, e piora com dor mal controlada e com o tempo de espera.

O material da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos sobre fraturas do quadril reúne o panorama dessas complicações.

O que pode justificar adiar

Existem situações em que operar imediatamente seria mais arriscado do que esperar algumas horas, e nesses casos o adiamento é uma decisão clínica, não uma demora administrativa.

  • Uso de anticoagulante que precisa de tempo ou de reversão antes da anestesia.
  • Alteração importante de eletrólitos ou de função renal que possa ser corrigida.
  • Infecção ativa em outro sítio, como pneumonia já instalada.
  • Descompensação cardíaca que exige estabilização.
  • Anemia grave que demanda transfusão antes do procedimento.

A diferença entre essas situações e a espera evitável está no propósito: adiar para corrigir algo que reduz o risco é diferente de adiar por falta de vaga, de material ou de decisão.

Fixar ou substituir: a decisão que se toma antes

Enquanto o preparo acontece, define-se também qual cirurgia será feita, e as duas alternativas são bem diferentes entre si.

Fixação com implante. Preserva a articulação original e é preferida quando a fratura está pouco desviada e o osso tem condição de consolidar. Exige, em contrapartida, que a consolidação de fato ocorra.

Substituição por prótese. Indicada quando o desvio compromete a circulação da cabeça do fêmur, situação em que a fixação tem alta chance de falhar. Tem a vantagem de permitir apoio precoce do peso, sem depender de consolidação óssea, e o procedimento é o mesmo descrito na página de cirurgia de prótese de quadril em Goiânia.

Idade, autonomia prévia, tipo de fratura e qualidade do osso pesam nessa escolha. As diferenças entre os tipos de substituição estão descritas em artroplastia total e parcial do quadril.

O que acontece durante a espera

Nas horas que antecedem a cirurgia, a conduta não é apenas aguardar. Controle adequado da dor, hidratação, prevenção de trombose, avaliação clínica e anestésica, e mobilização possível no leito fazem parte do preparo.

A escolha entre fixar a fratura com implante ou substituir a articulação também é definida nesse intervalo, com base no desvio da fratura e na autonomia prévia da pessoa. Sobre essa decisão e o restante do tratamento, veja a página de atendimento de fratura do colo do fêmur em Goiânia.

Depois da cirurgia, a pressa continua

O mesmo raciocínio vale para o pós-operatório. O objetivo é colocar o paciente de pé com fisioterapia já no primeiro ou segundo dia, com apoio de andador. Cada dia a mais na cama, depois de operado, cobra o mesmo preço de antes.

Sobre por que a imobilidade é tão perigosa nesse grupo, vale ler por que idoso que quebra o fêmur corre risco de vida.

Perguntas frequentes

Fratura de fêmur pode esperar alguns dias?

Não sem custo. Cada dia de espera evitável aumenta o risco de complicação. As exceções são situações clínicas que precisam ser corrigidas antes para tornar a cirurgia mais segura.

E se a pessoa toma anticoagulante?

Isso costuma exigir um intervalo para que o efeito diminua ou seja revertido. É uma das razões legítimas para adiar algumas horas, e a conduta é definida junto com o clínico e o anestesista.

Dá para tratar fratura de fêmur sem cirurgia?

É raro e reservado a casos em que o risco anestésico supera o benefício. O tratamento sem cirurgia obriga a pessoa a semanas na cama, e é justamente a imobilidade que causa as complicações mais graves.

Quanto tempo dura a internação?

Varia conforme o tipo de cirurgia e as condições clínicas, mas costuma ser relativamente curta quando não há complicações. O trabalho maior acontece depois, na reabilitação.

A pessoa volta a andar?

Na maioria dos casos sim, e o ritmo depende do tipo de cirurgia e da reabilitação conduzida depois dela, e esse é o objetivo. O quanto se recupera depende bastante de como a pessoa caminhava antes da queda, das outras doenças que tem e do empenho na fisioterapia.

Dr. Tiago Bernardes

Médico ortopedista com atuação dedicada à cirurgia do quadril em Goiânia. CRM-GO 13.658, RQE 8594. Graduado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/DF), com residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da UFG e treinamento avançado em Cirurgia do Quadril no Hospital Geral de Goiânia. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ). Preceptor da equipe de Cirurgia do Quadril do CRER e da residência de Ortopedia do HUGOL.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
Arquivo de artigos