Patologias do Quadril

O Que a Densitometria Óssea Mostra e o Que Ela Não Mostra

A densitometria óssea é o exame que mede a densidade mineral dos ossos, e é a base do diagnóstico de osteoporose. Ela também é frequentemente mal interpretada, porque o resultado costuma ser lido como uma sentença isolada quando é apenas um dos fatores em jogo.

Como o exame funciona

O aparelho emite uma dose muito baixa de radiação e mede quanto dela é absorvida pelo osso. Quanto maior a absorção, maior a densidade mineral. O exame é rápido, indolor e não exige preparo especial.

Os dois locais medidos de rotina são a coluna lombar e o fêmur proximal, que inclui o colo femoral. A escolha não é aleatória: são justamente as regiões onde as fraturas por fragilidade acontecem com mais consequência.

O que é o T-score

O resultado principal sai como T-score, que compara a sua densidade com a de um adulto jovem saudável. A leitura segue critérios definidos:

T-score Classificação
Até -1,0 Densidade normal
Entre -1,0 e -2,5 Osteopenia
-2,5 ou menor Osteoporose

Existe também o Z-score, que compara com pessoas da mesma idade e sexo. Ele é mais usado em jovens, crianças e mulheres antes da menopausa, quando o T-score perde parte do sentido.

O que a densitometria não mostra

Aqui está o ponto que muda a conversa. O exame mede densidade, não resistência. E resistência óssea depende também da arquitetura interna do osso, que a densitometria não avalia.

Mais importante: ela não mede o seu risco de cair. E quem fratura o quadril é quem cai. Duas pessoas com o mesmo T-score podem ter riscos muito diferentes conforme equilíbrio, força muscular, visão e medicamentos em uso.

Por isso a avaliação combina o exame com fatores clínicos: idade, fratura prévia, histórico familiar de fratura de quadril, uso prolongado de corticoide, tabagismo, baixo peso e propensão a quedas. O material do NIAMS sobre osteoporose detalha esses fatores.

O que mais aparece no laudo

Além do T-score, o laudo costuma trazer a densidade em números absolutos, o percentual de variação em relação ao exame anterior e às vezes a composição corporal. Dois pontos merecem atenção.

Diferença entre coluna e fêmur. É comum que os dois resultados não coincidam. Artrose na coluna e calcificações vasculares elevam falsamente a densidade lombar em pessoas mais velhas, e por isso a medida do fêmur costuma ser mais confiável nessa faixa etária. É também a região que interessa a quem avalia risco de fratura do colo do fêmur.

Variação entre exames. Pequenas oscilações podem refletir a margem de erro do próprio método, e não mudança real do osso. Por isso a leitura considera a tendência ao longo de vários exames, e não a diferença entre dois pontos isolados.

Quando fazer o exame

  • Mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70, mesmo sem sintoma.
  • Antes dessa idade, quando há fatores de risco relevantes.
  • Depois de qualquer fratura por queda da própria altura após os 50 anos.
  • Em uso de corticoide por mais de três meses.
  • Em menopausa precoce ou doenças que afetam o metabolismo ósseo.

De quanto em quanto tempo repetir

Depende do resultado e de haver tratamento em curso. O intervalo costuma ser de um a dois anos quando existe tratamento ou risco elevado, e pode ser maior quando o exame está normal e não há fatores de risco.

Repetir antes do tempo raramente muda a conduta, porque a densidade óssea varia devagar. E há um detalhe técnico importante: comparações só são confiáveis quando feitas no mesmo aparelho, porque equipamentos diferentes calibram de formas distintas.

O papel do ortopedista nessa história

O tratamento medicamentoso da osteoporose costuma ser conduzido por endocrinologista ou reumatologista. O ortopedista de quadril entra em outra frente, igualmente concreta: estimar o risco de fratura do fêmur, reduzir o risco de queda e tratar a fratura quando ela acontece.

Na prática isso significa avaliar marcha e equilíbrio, revisar medicamentos que causam tontura, orientar fortalecimento com carga progressiva e adaptar a casa. Veja a avaliação de risco de fratura do fêmur em Goiânia.

Perguntas frequentes

Densitometria dói ou precisa de preparo?

Não dói e não exige jejum. A orientação usual é evitar suplementos de cálcio no dia do exame e informar se fez exame com contraste recentemente.

T-score de -2,0 é grave?

Está na faixa de osteopenia, que não é osteoporose estabelecida. A conduta depende dos outros fatores de risco, e não do número isolado. Veja se osteopenia precisa de tratamento.

Dor no quadril aparece na densitometria?

Não. O exame mede densidade, não identifica causa de dor. Quadros como a osteoporose transitória do quadril exigem ressonância, e não densitometria.

Densitometria normal descarta risco de fratura?

Não. Boa parte das fraturas por fragilidade ocorre em pessoas com densidade na faixa de osteopenia, e não de osteoporose, porque o risco de queda pesa muito.

A radiação do exame é perigosa?

A dose é muito baixa, bem inferior à de uma radiografia comum de tórax. O exame é considerado seguro para repetições periódicas.

Posso fazer densitometria em qualquer aparelho?

Para o primeiro exame, sim. Para acompanhamento, o ideal é repetir no mesmo aparelho, porque a comparação entre equipamentos diferentes pode gerar variações que não refletem mudança real.

Dr. Tiago Bernardes

Médico ortopedista com atuação dedicada à cirurgia do quadril em Goiânia. CRM-GO 13.658, RQE 8594. Graduado pela Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS/DF), com residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da UFG e treinamento avançado em Cirurgia do Quadril no Hospital Geral de Goiânia. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira do Quadril (SBQ). Preceptor da equipe de Cirurgia do Quadril do CRER e da residência de Ortopedia do HUGOL.

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